
A Montanha que Nunca Para: O Monte Everest Cresce Todo Ano?
Você aprendeu na escola que o Monte Everest é o pico mais alto do mundo, com seus imponentes 8.848 metros (ou seriam 8.849?). Mas se você acha que ele é um gigante de pedra estático e imutável, a geologia tem uma surpresa para você.
A resposta curta é: Sim, o Everest cresce todo ano.
Mas a história completa é muito mais fascinante. Ela envolve colisão de continentes, um “rio ladrão” e até terremotos que tentam empurrá-lo para baixo. O teto do mundo está vivo, e ele não para de se mexer.
1. O Motor do Crescimento: A Colisão de Continentes
Para entender por que o Everest cresce, precisamos olhar para baixo da terra. A cordilheira do Himalaia é o resultado de um acidente de trânsito em câmera lenta que começou há cerca de 50 milhões de anos.
A placa tectônica indiana está colidindo contra a placa euroasiática. Como a Índia não para de empurrar (movendo-se cerca de 5 cm por ano em direção ao norte), a terra na zona de impacto é forçada a subir. É essa pressão constante que ergue o Himalaia um pouco mais a cada ano.
- A Taxa Padrão: Estima-se que, apenas por essa força tectônica, o Everest cresça cerca de 2 milímetros por ano. Parece pouco? Em termos geológicos, é como se ele estivesse correndo uma maratona vertical.
2. A Nova Descoberta: O “Rio Pirata” e o Efeito Balão
Aqui entra a curiosidade que poucos sabem. Um estudo recente revelou que o Everest está crescendo mais rápido do que a tectônica sozinha poderia explicar. O culpado? Um fenômeno chamado “Pirataria de Drenagem”.
Há cerca de 89 mil anos, um rio próximo (o rio Arun) foi “capturado” por outro sistema fluvial (o rio Kosi). Essa fusão aumentou drasticamente a força da água, que passou a escavar um desfiladeiro profundo perto da montanha.
O que isso tem a ver com a altura do pico? Imagine um barco de carga flutuando na água. Se você retira a carga pesada dele, o barco sobe, certo? A crosta terrestre funciona de forma parecida. Ao escavar bilhões de toneladas de rocha e sedimentos da base da montanha, o rio deixou a crosta mais leve. O manto da Terra, que é viscoso, empurrou essa crosta “mais leve” para cima. Esse fenômeno é chamado de rebote isostático.
O Saldo Extra: Acredita-se que esse processo tenha adicionado entre 15 e 50 metros à altura do Everest nos últimos 89 mil anos, além do crescimento normal tectônico.
3. Nem Tudo é Subida: O Que Faz a Montanha Encolher?
Se ele cresce todo ano, por que não tem 20 mil metros de altura? Porque enquanto a geologia empurra para cima, a natureza puxa para baixo.
- Erosão Natural: O vento, o gelo e a gravidade desgastam o pico constantemente. Geleiras trituram a rocha e avalanches removem material do topo.
- O Fator Terremoto: Grandes tremores podem “assentar” a montanha. O terremoto devastador do Nepal em 2015, por exemplo, fez o Everest se deslocar cerca de 3 centímetros para o sudoeste e, segundo algumas medições de satélite, pode ter rebaixado a altura da região ligeiramente, revertendo temporariamente o crescimento.
4. Qual é a Altura Real Hoje?
Devido a essa dança constante entre crescer e encolher, a altura oficial precisa ser revisada de tempos em tempos.
- Por décadas, o número oficial foi 8.848m (medido pela Índia na década de 1950).
- Em 2020, uma nova medição conjunta entre China e Nepal definiu a nova altura oficial: 8.848,86 metros.
O Everest, portanto, ganhou quase um metro “oficial” recentemente.
Resumo para Compartilhar na Mesa do Jantar
- O Everest cresce cerca de 2mm por ano devido às placas tectônicas.
- Um rio “roubou” pedras da base da montanha, deixando-a mais leve e fazendo-a flutuar mais alto (rebote isostático).
- Terremotos podem fazer a montanha “encolher” ou mudar de lugar repentinamente.
O Everest não é apenas uma pedra gigante; é um monumento vivo à força dinâmica do nosso planeta.